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segunda-feira, dezembro 29, 2003

A música que me faz sorrir...

Tempo dos Assassinos

Quero o silêncio do arco íris
Quero a alquímia das estações
Quero as vogais todas abertas
Quero ver partir os barcos
Prenhos de interrogações

Amo o teu riso prateado
Como se a lua fosse tua
Vou pendurar-me nos teus laços
Vou rasgar o teu vestido
Eu quero ver-te nua

Vivemos no tempo dos assassinos
Tempo de todos os hinos
Ouvimos dobrar os sinos
Quem mais jura
É quem mais mente

Vou arquitectar destinos
Sou praticamente demente.......

Eu quero ver-te alucinado
Eu quero ver-te sem sentido
Sem passado e sem memória
Quero-te aqui no presente
Eternamente colorido

Porque abomino o trabalho
Se trabalhasse estava em greve
Se isto não te disser tudo
Arranja-me um momento mudo
O menos possível breve

Vivemos o tempo dos assassinos
Tempo de todos os hinos
Ouvimos dobrar os sinos
Quem mais jura
É quem mais mente

Vou arquitectar destinos
Sou praticamente demente.......

Amo o teu riso prateado
Como se o Sol só fosse teu
Vou pendurar-me no teu laço
Amachucar-te essa camisa
Como se tu fosses eu
Como se tu fosses eu
Como se tu fosses eu


Jorge Palma

A música tem destas coisas...

Dream Brother :: Jeff Buckley
(Jeff Buckley / Mick Grondahl / Matt Johnson)
There is a child sleeping near his twin
The pictures go wild in a rush of wind
That dark angel he is shuffling in
Watching over them with his black feather wings unfurled

The love you lost with her skin so fair
Is free with the wind in her butterscotch hair
Her green eyes blew goodbyes
With her head in her hands
and your kiss on the lips of another
Dream Brother with your tears scattered round the world.

Don't be like the one who made me so old
Don't be like the one who left behind his name
'Cause they're waiting for you like I waited for mine
And nobody ever came...

Don't be like the one who made me so old
Don't be like the one who left behind his name
'Cause they're waiting for you like I waited for mine
And nobody ever came...

Don't be like the one who made me so old
Don't be like the one who left behind his name
'Cause they're waiting for you like I waited for mine
Nobody ever came
Nobody ever...

I feel afraid and I call your name
I love your voice and your dance insane
I hear your words and I know your pain
With your head in your hands and her kiss on the lips of another
Your eyes to the ground and the world spinning round forever
Asleep in the sand with the ocean washing over
Asleep in the sand with the ocean washing over
Asleep in the sand with the ocean washing over

Ah do you meet the one I love
and smell the one who loves you
Dream brother, dream brother, dream, dream
dream asleep in the sand with the ocean washing over


Passou 1 ano e parece que, quando a oiço, doi-me mais ainda.
A música tem destas coisas...

domingo, dezembro 28, 2003

The end.

toq
toq
toq...

subo a calçada em passo lento...
desces dois degraus das escadas e chamas-me:

Bruno
Bruno!

adio o quarto passo e olho-te sob o ombro, sem me virar.
Ensaias um beijo, e lanças-o à noite. O baton do cieiro e humidade da tua boca misturam-se no ar gelado e seco.
O beijo atravessa o vidro embaciado do carro parado à tua porta. Dança no velocímetro, nos bancos, no arbaig.
Entranha-se nos cabelos loiros-a-fingir da peaches. Que grita, corre e salta para os fanáticos do electro.
Miss peaches faz questão de mostrar que pelos nas axilas não a incomodam. Mostra-os com orgulho. Como uma qualquer feminista que recusa a moldar-se aos hábitos machistas da sociedade. Despe-se entre os gritos histéricos de homens e mulheres. Não diz nenhum cliché a favor da sua classe. Ser objecto sexual é a sua carreira. Em tempos foi prostituta e não parece que tenha deixado de o ser. Afinal, continua a vender o corpo. A música está lá como as luzes...apenas para gerar ambiente. O microfone entra e sai de sítios a que está pouco acostumado. "Sou objecto sexual e gosto" escrito por todo o corpo, pelo menos o que não está coberto de tecido(que não é muito).
Peaches "vomita" um corante cor de sangue. Não sei quem, pouco me interessa, mas gostou muito de levar com ele na cara. 2 encores, a coisa está arrumada e vamos para o bar.
O beijo espreita-me. Esconde-se atrás das pessoas, num copo qualquer, num puff, nos lábios alheios até. Persegue-me.
Danço...porque sim. Porque todos o estão a fazer. Porque não eu? Não ligo muito à música, a não ser que me faça lembrar alguma noite kitten ou que J. me chame a atenção. Neste jogo de luz e sombra, intercepto alguns olhares. Que julgo, a princípio, serem dirigidos à minha pessoa. Mas são apenas para o beijo que não ligo. Aquele que agora está mesmo atrás de mim. Naquela rapariga que dança de olhos fechados.
Suspiro e torno a olhar em frente. Vapor de água, Co2, restos de esperança. Esse soltar de tudo bloqueia o teu beijo. E ele cai por terra. Mistura-se na humidade da calçada e torna-se num nada. É pincelada negra na noite. Nessa tela que sempre gostei de ver nos filmes. Aquela do final.
Aquela que dizia... The end.

toq
toq
toq

...


sexta-feira, dezembro 19, 2003

Tenho de beber um café...

Ha Ha Ha...

Olho pro lado e lá estão 3 tipos, todos fashion...
Não ligo ao que dizem e volto a olhar para a "paisagem" negra. O objectivo destas grandes janelas é para que os passageiros vejam exactamente o que se passa lá fora. Para iludir um qualquer claustrofóbico que se aventure nestes túneis subterrâneos. Comigo não resulta (e reparem que não sofro dessas fobias!) e cada vez me sinto mais apertado. Sufoco-me mesmo quando tento abstrair-me de tudo e foco apenas o meu reflexo. Os suspiros violentos são inevitáveis. E chegam mesmo a ser incómodos aos restantes passageiros que olho fixamente nos olhos, só para os ver bater a retirada.

Hahahaasss ha ha ha!!!

Nunca chego a tirar os phones. Semicerro os olhos, cerro os dentes...brinco com os maxilares, e desenho um seco e leve sorriso enquanto observo os adolescentes. Um deles é muito mais extravagante que os outros. É esse que explode décibeis de gargalhadas por entre os dentes certos e brancos. Tem o cabelo tipo esfregona que lhe cobre a totalidade da testa, escondendo também uma ou outra borbulha. Roupa como tantos e óculos de lentes plásticas laranja. Esconde-se do mundo, através da gargalhada...da troça de outros.
A música deixa de existir na minha mente e vejo-me a quebrar-lhe o laranja ao primeiro soco. Seguido de outro nos abdominais de ginásio. Oitsuky...Guiakozuki. Já lá vão uns anos mas não os sinto nos nós dos dedos. O pulso firme, quando atinjo o maxilar, que com um e outro soco vai cedendo. Uma vez duro, outra solto até quebrar.
Os dentes branco-vermelhados.

Gostava tanto que estivesses aqui. Ia ser único! Bebia-mos café naquele do king, atravessavas a livraria para lá chegar e perdias-te nos livros do Basquiat. Ia-mos depois ao Maria Matos com os convites que ganhei. Vias ao vivo o trabalho daqueles que admiro.
"Vês como ele nos olha nos olhos? Como controla o nosso riso. Como explora-nos. Apedreja o nosso poço de emoções."
beijava-te o pescoço e sorriria feito tolo.
Seriamos os últimos a sair da sala e despedia-me do porteiro:

"até a próxima."

Perdiamos (pelo menos) um comboio para saborear a noite. O Frio também lá estaria, uma desculpa para nos abraçar-mos. Subia-mos os jardins de histórias que contar-te-ia. E ouvirias a música que oiço.
Via-mos os filmes das 2 e tal, a tvshop, o final das sessões. Adormecias no sofá com a cabeça sob o meu peito. Eu fingir-me-ia adormecido só para te ver mais um pouco. Controlaria a respiração, a emoção ou mesmo alguma lágrima rebelde...para não te acordar.

No entanto...peço o convite:
"é um convite em nome de Bruno Santos sff..."
"Não são dois???!"
"Sim...são dois..."

...bebo café sozinho e penso em convidar uma estranha. Chego mesmo a treinar a fala na minha cabeça:
«Pode parecer estranho mas...queres vir ao teatro?...não..nãonão.»
«Vais ver a peça? Ai sim? é que tenho 2 convites e acho que um é mesmo o teu número..."

Passeio vagarosamente até a estação de comboios revendo passagens e risos...com um convite intacto na carteira.


Quando vou para dar uma joelhada nas costelas ele cai por terra. Os amigos fogem na estação seguinte. Ninguém liga aquele trapo ensanguentado, estão todos demasiado sonolentos para dar alguma importância ao que se passa. Esmago a mão com o calcanhar e oiço um ou outro osso a partir-se.
"AAAAAAAHHHHHHH!!!! FDX!! AAAAAAAHHHHHH!!! PORQUÊ?? POOORRRQQUUUÊ!!???"
"Por Tudo!"

As portas abrem-se e dou um último olhar ao comedian. Ele retribui o olhar e sorri para os seus estarolas. Penso na tarde que me espera...nos sms a enviar. Atiro o cachecol para as costas e suspiro...
«Tenho de beber um café...»







terça-feira, dezembro 16, 2003

noites

Esta é uma história que realmente aconteceu na parvoeira das reais noites de verão...numa terra que desapareceu do mapa neste verão. Fundada verão de 2002:

Um a um, todos vão desaparecendo da noite boémia. Ficam os de sempre. Os que teimam em contar, rir mais, beber demais. Nós. Os 3 de algumas fatídicas noites.
Depois de nos apercebermos que nada mais resta a não ser garrafas vazias e tascas fechadas. Despedimo-nos dos que restam, ou seja nós próprios, e partimos em busca do carro perdido. Fazemos curvas que não existem, cedemos passagem a quem não vem, paramos aqui e ali nos semáforos da noite(estrelas que vemos em duplicado).
L. vai a frente, com tamanho nevoeiro. Eu tento seguir as suas passadas. Afinal, não é assim que fazemos no transito do dia a dia? Quando nada vemos, seguimos em frente. Mesmo atrás do que precede o outro.
S. vai chutando pinhas pintadas de orvalho...
Num desses remates pra golo, quase que acerta no carro.
XX-XX-ET Encontro de 3ro grau.
Entramos 2 no carro. Eu de garrafa de traçado entre os joelhos(despojos da noite...para um possível pequeno almoço). S. teima em ir na mala, enfim...não se contraria a excelentíssima chiba.
"Não FEIXES!!!!"- pois claro, ele sofre da fobia.

Curva a esquerda curva a direita. Sou um co-piloto do melhor tipo. O calado. O computador de bordo não acusa falta de cinto no condutor e mala aberta, ele só existe na minha cabeça. É obra da minha imaginação. Já que, por mais que me esforce, não consigo descodificar o velocímetro...tento distrair-me. Esquecer aquela curva em que a roda saiu fora de estrada e já me via na horta, no meio de couves e nabos.

...que som angustiante. Pneus a deslizarem na estrada molhada...como se fosse manteiga.

saímos cada um como pôde...S. o primeiro L. logo depois, com as mãos na cabeça...eu de seguida. Dois carros param mesmo atrás. Uma multidão que não conheço abre e fecha portas.
Um senhor com ar simpático observa-me...de garrafa na mão...
olha e acena com a cabeça depois de ouvir o incessante "Fdx Fdx Fdx..." de L.
E é então que suspira e se decide por S. :
- Então, como é que isto tudo aconteceu!?
- EU!? EU não sei! Eu...eu ia na mala!


Com certeza que, meses passados, ainda deveriam de haver automobilistas perdidos. Á procura da placa de Ribeira. Ainda hoje tem dias...que a vejo voar sob o capom.

sábado, dezembro 13, 2003

Segredos Só Nossos 2

Preciso de ti. Da doçura dos teus olhos, para que me possa esquecer de quem sou. Das tuas mãos, desses carinhos que nunca tive. Tenho tanto para te contar, sonhos que queria como sendo meus e dos quais me envergonho. Queria-te tanto aqui. Queria o teu corpo cansado e mole para eu cuidar como um tesouro, acariciar como uma cria. Ver o escuro do teu cabelo e sentir o teu cheiro, afogar-me em ti. Como deve ser terno o teu toque, o amor dos teus dedos. A que sabem os teus lábios? E como se chamam os medos que tens dentro de ti?

05/05/2000

terça-feira, dezembro 02, 2003

In(só)nias

Cores.

Flashes.

Uma mescla de imagens atrai não só a minha atenção, como a da nuca que agora observo. Imóvel. De vez em quando aparece (o que parece ser) uma mão, e esta coça a calvice. A "caixinha magica", um vaso que obstrui os seus coloridos com sotaque que não percebo...(apenas e só) uma cabeça...(o que parece ser) um espelho e a ausência de cortinados ou estores corridos que me permite perder tempo a olhar pra isto. Uma imagem simples mas que, neste momento, me parece irreal, demasiado desenhada. perfeita...quase cinematográfica.
O som de fundo quase que me trai, fazendo-me acreditar que estou onde estive. Que nada é diferente e que, por isso, tudo não passou de um sonho (como tantos dos que teimo, inconscientemente, ter de olhos abertos). Oiço mesmo (até) vozes, que gritam coisas imperceptíveis que ninguém ouve(menos eu)...para completar o cenário.
Para 1.10h, muitos estão acordados. Muitos é como quem diz...muitas luzes ainda persistem na escuridão deste precipício mesmo a minha frente.

Cheiro os dedos e esgueiro-me na janela, para me certificar que ninguém viu. Não quero que, numa cidade que não conheço, descubram o que escondo no sítio onde vivo o banal dos dias.
Ninguém vem a janela fumar um cigarro. Cuscar o vizinho. Gritar com o de cima. Mas quando deixo de pensar tanto em tudo isto. Quando não me esforço para ver as diferenças. Parece nunca ter saído daí.

Estore que corre, Luz que se apaga....





Barcelona, Praça Tetuan...Bingo...algures... 29 de Novembro de 2003 1.20h